• "O verdadeiro evangelho exalta a Deus... Se camuflado a excelência perderá!"

    LOUVOR E ADORAÇÃO



    Louvor e Adoração | Matteus Almeida



    A música descentralizada do Evangelho

    Durante a adoração à Deus em um culto devem ser estabelecidas canções que exaltem o nome do Senhor. Alguns afirmam que o louvor é mais parecido com a oração, outros já falam que este momento litúrgico se aproxima mais da pregação. Bem, acredito que um louvor centrado em Deus precisa ter esses dois fundamentos, sincero como uma oração e fiel à palavra como um sermão, embora seja um momento diferenciado desses dois. 

    E quanto ao gênero musical? Acredito que todo todo gênero musical seja lícito ao cristão, porém isso não quer dizer que todos convém ao culto. Não estou falando apenas de gostos musicais, mas que devemos fazer uma análise do que seria mais apropriado para a comunidade, levando em consideração a individualidade de cada igreja. Ou seja, em algumas denominações os anciãos são em maioria, analisando isto devemos selecionar os cânticos para que esses e toda a igreja posso acompanhar o louvor ao Senhor.

    A escolha de músicas antigas não quer dizer necessariamente uma boa escolha ao analisarmos a letra, como também demonizar todas as músicas contemporâneas só pelo fato de serem atuais. Há sim muita música boa, e devemos buscar o equilíbrio e o auxílio do Senhor. O importante é que a congregação louve à Deus, deixando de lado técnicas musicais bem elaboradas, muitas das vezes, e renunciando o nosso gosto pessoal em prol do coletivo. Afinal, igreja é isso, renúncia e serviço. Nossa geração precisa de louvores profundamente bíblicos, e se quisermos mudanças, devemos orar e trabalhar agora. Ainda no momento do louvor, temos que evitar os extremos, seja tocando mecanicamente, seja moderando o exagero dos espontâneos, e cuidando para que um louvor excessivo se estenda, tomando até o momento do sermão.

    O poder dos cânticos rompem barreiras culturais, comunidades influenciam umas as outras também por músicas; neste contexto não nos impressiona o momento de músicas vazias de conteúdo salvíficos. Considerando que as músicas refletem apenas o vazio dos púlpitos, precisamos de mais de Deus tanto nas músicas como nos sermões. Algo vivo e profundo que vai além do simples cantar músicas espontâneas que não causam arrependimento nem choro pelo pecado, e muito menos mudança de vida. Um "quebrantamento" que na maioria das vezes cai no esquecimento ao fim do culto, não sendo esse o caminho para o despertamento espiritual. Precisamos reconhecer a pecaminosidade de nossas vidas, clamar por perdão. 

    Quais são os temas de nossas canções? A cruz de Cristo? Arrependimento? Missões? Conversão? As músicas mostram apenas o declínio do movimento evangélico brasileiro, porque atestam que o foco está mudado, e devemos voltar ao evangelho enquanto há tempo. Mostram que devemos deixar os nossos interesses pessoais de lado e pregar a verdade. Poucas são as músicas que nos chamam ao arrependimento, e contém verdadeiros louvores à Deus. Precisamos nos comprometer com o evangelho verdadeiro, pois a verdade não mudou. A falta desta centralidade do evangelho é, muitas vezes, a causa de não vermos a mudança do ser humano através da "pregação" que deveria haver na música. Não podemos abandonar a verdade, muitos púlpitos estão cheios de qualquer outra coisa menos da verdade que liberta.

    Vivemos em uma época dentro das igrejas de consumismo musical, manifestações artísticas exuberantes mas vazias do principal. Por um lado estamos sempre atentos e ansiosos pelos últimos lançamentos do nosso artista preferido, nos cercamos de música por toda a parte, e achamos que assim podemos ser melhores cristãos, simplesmente por termos um mp3 recheado de louvores. Por outro, negligenciamos o estudo das Escrituras. Hoje em dia o padrão de "louvor bom" é aquele tão rico musicalmente, que nos deixam extasiados a ponto de nem percebermos o que cantamos, quer dizer, no fim das contas o que cantamos não é nem mais considerado, contanto que fale de benção, de como somos raros e do quanto Deus deve nos abençoar e restituir tudo aquilo que perdemos. Saímos todos suados, eufóricos, mas sem reflexão e mudança de vida simplesmente porque não queremos avaliar aquilo que colocamos como prioridade, os frutos desaparecem e assim a igreja segue caminhando. O objetivo de muitos jovens que formam uma banda de igreja é só tirar um som. Primeiro tiramos o rótulo de "banda" para não soar mal, e colocamos "ministério", e esses buscam as mesmas coisas que artistas normais, querem gravar um CD, fazer muito sucesso e viver disso, ou seja, fazer música cristã se tornou apenas uma carreira musical dentro da igreja, um meio de vida.

    O PROBLEMA DA SUPER VALORIZAÇAO DO MOMENTO DE LOUVOR E O EMOCIONALISMO EXAGERADO


    Alguns “louvores” são escritos sem substância, apenas para transmitir emocionalismo exagerado e paixão, chegando até a romantizar demais a nossa relação com Deus. Não há problema algum na utilização da poesia e, consequentemente, da licença poética em nossas composições, porém temos que saber discernir os momentos mais adequados, saber separar música de louvor e música de entretenimento. O Cristão é livre para fazer música para entretenimento. Por exemplo, somos livres para compor sobre a natureza, o amor conjugal, e demais temas, porém tudo deve ser pautado segundo a Palavra de Deus. O problema é que as licenças poéticas na música evangélica viraram licenças heréticas.

    A música tornou-se o momento mais esperado do culto para alguns cristãos, ao ponto de a qualidade de uma igreja ser medida a partir da música feita por ela. O momento da música, às vezes, toma muito tempo do culto e sair emocionado depois de uma quantidade extrema de música, parece ser o “fundamento da fé” de muitos, chegando a acreditar que o emocionalismo coletivo comprovam a “presença de Deus”. É importante estarmos atentos com os extremos, não necessariamente temos que nos emocionar quando tocados pelo agir do Senhor. O problema é que este tipo de experiência se torna o "pão" que alimenta a espiritualidade dessas pessoas. Este emocionalismo é uma empolgação que logo vem e se vai, não produz frutos, não nos faz chorar por nossos pecados, suplicar por misericórdia e clamar por salvação, não é uma verdadeira devoção. Logo, após essas experiências vazias não há mudança de vida, não existem frutos. A música em si já é uma resposta altamente emocional, mas não devemos nos abster e até temer totalmente a emoção. A verdadeira adoração modifica a consciência do homem, o faz ver quão pecador e carente da graça de Deus ele é. Essa busca intensa pela emoção em todo o culto pode nos decepcionar quando em algum momento isso não acontecer, nos fazendo pensar que estamos em "pecado" ou que a presença de Deus não estava ali.

    Voltar a cantar as velhas verdades que nos constrangem, este é o caminho para melhorar nossa música, devemos parar e reavaliar com sinceridade nossas motivações, voltemos as escrituras, à beleza do evangelho. A cruz de Cristo deve ser a nossa mensagem central, O Justo pelos injustos, O santo pelos pecadores. Somente quando ouvimos novamente o que Deus fez em favor de nós, o nosso coração começa a responder em gratidão e louvor pelo favor imerecido que recebemos.


    SDG,


    Matteus Almeida.

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