• "O verdadeiro evangelho exalta a Deus... Se camuflado a excelência perderá!"

    MÚSICA BRASILEIRA: UM (RE)COMEÇO





    MÚSICA BRASILEIRA: UM (RE)COMEÇO | Matteus Almeida


    TODA A ARTE QUE EU FAÇO...

    Estamos inseridos em um cenário que grande parte das músicas ditas cristãs que deveriam glorificar à Deus, paradoxalmente fogem dos preceitos bíblicos e colocam o homem como centro do evangelho, e Deus em um lugar na plateia como um mero espectador. Ou seja, cantam um evangelho de mérito, não o evangelho da Graça. Diante desse contexto o mercado nos obriga a garimpar melhor aquilo que devemos ouvir. Filtrar não apenas a música dita "secular", mas infelizmente também as músicas que se cantam usando o nome de Deus. As interpretações que exalam o frescor das boas novas estão cada vez mais raras.

    Uma das bandeiras levantadas é a divulgação da "música cristã brasileira", sem rótulos, mas de cara limpa, tal como ela é; canções que quebrem muros morais e que cheguem aos ouvidos de quem realmente está necessitado; que chegue a corações aflitos que estão cansados de melodias vazias, mostrando que a vida pode ser vista de uma outra perspectiva; que a esperança que foi tão cantada nas rodas de samba, e ainda é cantada nos barzinhos e que está enraizada na nossa cultura popular, pode ser mais concreta e realizar transformação de vida. Acredito que o Cristão tem que abrir os olhos para o mundo que o cerca, compreendê-lo para assim ajudar e compartilhar das boas novas, ter discernimento, pensar, pois Deus nos criou como seres pensantes.

    Considerando que Jesus Cristo é o Senhor de todas as coisas, podemos entender que seus discípulos devam estar atentos aos significados das vozes que clamam na cultura. "A cultura é um ambiente fértil tanto para manifestar, quanto para ouvir a voz de Deus e as inquietações legítimas humanas. Enquanto estamos enclausurados em nossos guetos religiosos, desenvolvendo um submundo com fala específica, música específica e até roupas específicas. Os poetas estão gritando por Deus lá fora, mas nós não os lemos por que eles não são gospel! ‘Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração’ (Atos 17:28). Paulo cita aqui Epiménides de Cnossos (século VI antes Cristo), mas provavelmente leu essa citação em ‘Fenômenos’ obra de Aratos, poeta ciliciano do século III antes de Cristo. Em II Timóteo 4:13 Paulo pede para seu discípulo levar seus livros porque a cultura é importante para o discípulo de Cristo!". "Cultura é o ponto de vista do ser criado, sobre aquilo que Deus lhe deu como casa". [1] Há quem diga que toda criação do Homem depravado é necessariamente profana e decaída, e que não existe absolutamente nada de bom para se aproveitar; porém, vejo a cultura como um espaço aberto para a identificação das necessidades legítimas da alma humana e a compreensão dessa realidade. Ou seja, o ser humano como participante da criação divina. A realidade criada pelo Homem é sim comprometida pelo pecado e pela corrupção mas não necessariamente deve ser demonizada, o Reino de Deus esta por todos os lugares, nas ruas, nos becos, O Senhor vai além dos rótulos criados.


    A música contemporânea é o reflexo de nossa sociedade. As rádios tocam o que as pessoas querem ouvir. A música dita o andar da sociedade, não devemos subestimar o poder de influência da mesma. E o que vemos dentro de nossos próprios ambientes eclesiásticos não é mais o canto da sã doutrina, mas uma adequação do evangelho aos anseios e necessidades humanas e, enquanto isso, Cristo está sendo deixado de lado. "As músicas que mais apreciamos e com as quais nos identificamos são aquelas que mais nos influenciam. Por isso precisamos ser cautelosos e devemos praticar a autodisciplina. Mas não devemos fazer regras gerais. Não podemos dizer ‘Isto é bom e isto é mau.’ Nosso chamado pode também desempenhar um importante papel nesse sentido: se quisermos conhecer e compreender outra pessoa, talvez seja preciso que ouçamos as músicas que ela ouve. Somos livres para escolher a música que queremos ouvir, contudo devemos ser responsáveis por nossas escolhas. Se certos livros, imagens ou músicas nos levam para uma direção pecaminosa, é melhor deixá-los de lado. Algumas pessoas conseguem ler coisas consideradas muito fortes para outras pessoas e vice-versa. Portanto, cada indivíduo tem sua própria responsabilidade. A questão a se fazer diante de Deus é esta: Essas coisas convêm? Mas isso não é simplesmente uma questão de obedecer regras. Foi por essa razão que Paulo ensinou: ‘Ponde tudo à prova. Retende o que é bom.’” [2]

    Não devemos estar entregues a Cristo em partes, mas por inteiros, com todos os nossos talentos oferecidos ao Reino. Reconhecer o nosso papel na terra como cristãos passa também pelo mundo das artes e da cultura. Influenciando o mundo pela via que leva à eternidade. "Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém." (1 Pedro 4:10,11). Todo dom é uma expressão individual e única da graça de Deus, refletida através da vida, personalidade e temperamento daquele que o recebeu. Somos exortados a servir uns aos outros através de nossos dons particulares segundo a multiforme graça. Pensando como igreja, devemos instruir uns aos outros de uma forma que os ensinamentos de Cristo sejam difundidos; as artes como ferramentas hermenêuticas, segundo a maravilhosa graça, devem ser usadas para glorificar o nome do nosso Salvador. Que através da música criada dentro de nossas comunidades, o Senhorio de Cristo seja presente, e os atributos dEle sejam manifestados em nossas expressões artísticas sejam quais forem estas. Ainda há muito o que se falar, ainda há muito a se criar. Toda a capacidade lógica e cognitiva nos foram dadas e antes de qualquer produção artística devemos ser inundados da Palavra e da Doutrina de Cristo, entender verdadeiramente o plano de salvação, a redenção e a consumação pelo calvário. "Ser um artista cristão significa que o indivíduo é chamado para utilizar seus talentos para a Glória de Deus, como ato de amor a ele e serviço amoroso ao próximo. Trabalhar assim, de todo nosso coração, mente e espírito, com todos os nossos talentos em potencial, com abertura e liberdade, orando por sabedoria e direcionamento, pensando antes de agir, é aceitar nossa responsabilidade." [3] 

    O problema não é porque o mundo faz música, mas a igreja que não faz. Muitas vezes produzimos músicas sem identidade, pegamos apenas o que o mundo faz, e mudamos algumas letras e assim nos contentamos com muito pouco. Apenas reproduzimos o que vemos e ouvimos. Porém, devemos ditar as regras e produzir algo verdadeiro para a Glória de Deus. Acredito que devemos fazer muito mais que isso. Se grandes artistas cristãos influenciaram suas épocas, por que não podemos mais fazer isso? Será que Deus não nos abençoou da mesma maneira? "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada." (Tg 1.5). Somos chamados primeiramente para sermos fiéis à doutrina de Cristo e, toda a transformação que possa acontecer na sociedade, deve vir após essa fidelidade às escrituras. Afinal, não será com a nossa própria força e entendimento que essa transformação poderá acontecer. Ainda não compreendemos que a música é um importante disseminador ideológico, ou se compreendemos, estamos disseminando algo errado, pois apesar do crescimento da música evangélica brasileira, e consequentemente o crescimento de fieis, ainda sim as boas novas não estão sendo entendidas e vividas em sua plenitude.

    A criação é exteriorizar aquilo que está dentro de nós, e como podemos compor louvores verdadeiros e santos se não meditamos, compreendemos e nem vivemos as escrituras? Colocamos às vezes em nossas canções um deus que não condiz com aquele que é revelado na bíblia como o grande EU SOU, mas apenas uma criação de nossas mentes carnais. "Porque as obras da carne são manifestas são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissenções, HERESIAS," (Gl 4.19-20).

    "Quando a palavra de Deus, a bíblia, veio a ser ouvida, a reforma teve resultados tremendos, tanto nas pessoas individualmente, que se tornavam genuínos cristãos, como na cultura em geral." [4] Como as ideias da reforma foram difundidas tão rapidamente? Atráves dos cânticos de Lutero que foram amplamente compartilhados, mais rápidos até que suas teses. Ousamos dizer que o papel reformador das músicas compostas por Lutero tiveram suma importância para o movimento equiparada às suas 95 teses afixadas a porta da capela de Wittemberg. Enquanto a doutrina estava sendo pregada os cânticos voavam entre o povo através dos ventos da reforma protestante. Atualmente, ainda se faz necessário retornar a sã doutrina, voltar os nossos cânticos ao evangelho puro, verdadeiro e imaculado. Evangelho onde o cordeiro de Deus é e sempre será exaltado.

    Devemos buscar conteúdos eternos para nossas canções, valores atemporais que norteiem nossas melodias, revesti-las das boas novas. Que o Todo-Poderoso nos dê a graça de compreender plenamente as escrituras, e os atributos do Deus eterno possam ser facilmente identificados em nossas criações. Músicas que levem o ouvinte a refletir sobre a sua vida e que pregam velhas verdades até então já esquecidas. Somos chamados a produzir conteúdo artístico digno e condizente com a Palavra; os atributos divinos e suas maravilhas devem ser nossa principal inspiração. Somos a Igreja de Cristo que faz música.

    Por Matteus Almeida. << Clique e leia outras postagens do colunista. 

    ________________________________________________________________
    [2] - "A influencia da musica" | Hans Rookmaaker. Fonte: Ultmato
    [3] - Livro: A Arte não precisa de justificativa- Hans Rookmaaker
    [4] - Livro: A morte da razão- Francis Schaeffer

    0 comentários:

    Postar um comentário