• "O verdadeiro evangelho exalta a Deus... Se camuflado a excelência perderá!"

    PREGUE O EVANGELHO COM PALAVRAS




    PREGUE O EVANGELHO COM PALAVRAS | Evanildo Sena


    Uma frase atribuída comumente a Francisco de Assis, diz “pregue o Evangelho,  e se necessário, use palavras” precisa ser esclarecida, pois apresenta um grande equivoco. 

    Em primeiro lugar, não se sabe realmente se o franciscano disse estas palavras, muitos acreditam que não, até porque ele era um ávido pregador. Não queremos desconsiderar que a vida cristã deve refletir o evangelho que recebemos, cremos e anunciamos. De fato, como discípulos de Jesus, buscamos viver uma vida santa e piedosa. Mas esta não é a questão. Trataremos aqui sobre como o evangelho deve ser pregado.

    E retirou-se outra vez para além do Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente batizado; e ali ficou. E muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade. E muitos ali creram nele.” João 10:40-42

    Há muitos textos na Escritura que nos mostram o quanto a frase atribuída ao franciscano está equivocada. Inicialmente, vamos tomar esta passagem do evangelho de João como exemplo de que o Evangelho é pregado com palavras.

    Primeiramente, encontramos neste relato que Jesus voltou para o lugar onde João havia realizado batismos, “e ali ficou”. De acordo com João 1.28, este local era um “povoado de Betânia, no lado leste do rio Jordão”. As pessoas daquele povoado reconheceram que João não havia realizado nenhum sinal (milagres e prodígios como fez Jesus), mas, com a presença do bendito Senhor naquele local, elas não tiveram como negar que “tudo que ele disse sobre Jesus era verdade”. 

    João Batista não procurou somente viver uma vida reta diante de Deus. Ele abriu a sua boca e como profeta de Deus “ele disse” a verdade acerca de Cristo, apresentou ao povo quem Ele era e a obra que Ele haveria de fazer, e desde então conclamava arrependimento entre todos: “E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. Mateus 3:1,2

    A palavra “pregando” é uma variação do verbo Kerusso (Pregar) no grego, utilizado no texto de Mateus ao descrever que “apareceu João o Batista pregando”. O significado desta palavra nos ajuda a entender a importância da pregação. Kerusso quer dizer: declarar, como faz um arauto. "Refere-se à mensagem de um rei. Quando um soberano tinha uma mensagem para seus súditos, ele a entregava aos arautos. Estes a transmitiam às pessoas sem mudá-la ou corrigi-la." [1]

    Além de usar palavras, o conteúdo da mensagem também é importante. João não disse o que ele “achava” sobre Jesus. João não expressou sua opinião sobre Jesus. Enviado pelo Soberano Senhor, ele foi um arauto e entregou aquele povoado uma mensagem fiel e verdadeira. E não somente isso, pois a palavra kerusso representa também que a mensagem a ser entregue é de uma Autoridade, portanto poderosa em si mesma (Rm 1.16).

    Qual era o conteúdo da pregação de João? O que ele dizia sobre a pessoa de Jesus? Podemos encontrar suas pregações no inicio de cada um dos evangelhos, mas, como exemplo do que ele dizia, consideremos o relato do apóstolo João: “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” - João 1:29

    Que gloriosa e verdadeira pregação! Primeiramente, João declara que Jesus é o cordeiro de Deus”. Ele é Aquele que foi preparado antes da fundação do mundo, como sacrifício santo, único e perpétuo. Nessas simples e maravilhosas palavras, João abre os olhos de muitos para que enxerguem quem de fato é Aquele que vem a ele para ser batizado. Em outras palavras, “a Voz que clamava no deserto” quis dizer: “por séculos nós temos oferecido cordeiros a Deus, como oferta para expiação de nossos pecados, mas eles eram somente sombras do cordeiro Perfeito. Eis o Cordeiro de Deus!”. A mensagem de João era clara, Jesus é o cordeiro de Deus, imaculado e incontaminado (1 Pedro 1:18,19), que verteria seu precioso sangue na cruz.

    Que tira o pecado do mundo”.

    Não desejo entrar na questão da palavra “mundo” neste verso, pois não é a intenção do meu texto, mas recomendo um artigo de A. W. Pink que faz uma exegese precisa. Para nós, é relevante citar no momento, que a pregação de João Batista apresentava Aquele que, por seu sangue, seria capaz de redimir o pecado dos crentes de uma vez por todas: “Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hebreus 9:12). Não haveria mais a necessidade dos sacrifícios, regulamentados no livro de Levítico e registrados no decorrer da história do povo hebreu. Cristo é o sacrifício perpétuo que foi aceito por Deus, devido a sua santidade, a sua ausência de pecado, a sua integridade, a sua perfeita divindade e humanidade, a sua obediência e a sua autoridade para tal. Somente o sacrifício de Jesus é capaz de expiar definitivamente o pecado do homem caído. “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5:19).

    Mesmo sendo decapitado antes da morte de Jesus, João Batista viveu, até seu último fôlego de vida, apontando para o calvário. Os que viveram após a morte e ressurreição de Jesus, assim como o apostolo Paulo, aprenderam que esta é a mensagem central: “Cristo e este crucificado” (I Co 2.1). Que a nossa pregação seja proferida com palavras que apontem para a pessoa de Cristo e sua obra redentora. Que o nosso instrumento seja a Escritura. Neste momento, lembro-me de uma citação de Charles Spurgeon: "Se quando eu chegar ao céu o Senhor me disser: "Spurgeon, quero que você pregue por toda a eternidade", responderei: "Senhor, dá-me uma Bíblia - é tudo de que preciso".

    “E muitos ali creram nele.”

    Agora, observemos o poder que há na pregação genuína do Evangelho. Com a mensagem de João Batista e a presença gloriosa de Jesus naquele povoado, houve salvação! Estes acontecimentos foram preciosos e eficazes para que muitos em Betânia cressem nEle. Nosso Senhor chamou muitos para si e prometeu “todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37). Mas houveram, e ainda há, os rebeldes. Se voltarmos alguns versículos deste relato, Jesus estava no salão do templo e alguns judeus O interrogavam, e ali foram severamente exortados por Ele, pois apesar de sua pregação, de seus sinais e de sua presença, eles O rejeitaram. O próprio Jesus nos diz o motivo: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito” (João 10:26).

    A pregação deve permanecer. Essa é uma ordem de Cristo (Mt 28:19-20, Mc 16:15) e foi o meio pelo qual Deus escolheu tornar conhecido o Evangelho entre os povos. E Nosso Senhor, que agora está a destra do Pai, enviou o Espírito Santo, não somente para consolar (Jo 14:16) e guiar (Rm 8:14, Gl 5:18) seu povo, mas também para ser aquele que convence o mundo do “pecado, e da justiça e do juízo.”(João 16:8). John Owen sabiamente expressou estas palavras sobre a salvação: “O amor, a graça e a sabedoria do Pai a planejou; O amor, a graça e a humildade do Filho a adquiriu; O amor, a graça e o poder do Espírito Santo capacitou pecadores a crer e a recebê-la.” [2]           

    Que a pregação do evangelho seja dita ao máximo de pessoas que pudermos, até completarmos a carreira da Fé. Ah, amigo leitor, quem dera fossemos desbravadores como o apóstolo Paulo e muitos outros missionários do Senhor, ao proclamarmos o evangelho em solos nunca pisados por outro cristão. Mas nossa pouca fé, disposição e “tempo” são como âncoras que não nos deixam sair do lugar. Porém, se temos que insistir em um bairro, cidade, estado ou país, que possamos fazer com louvor, zelo e amor.

    Para finalizar, consideremos as palavras do apóstolo Paulo, que fundamentam mais ainda todo nosso argumento:

    Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.Romanos 10:13-17

    Estejamos aptos a boa e preciosa proclamação do evangelho de Jesus.

    Por Evanildo Sena.
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    1- Stuart Olyott, Pregação Pura e Simples, pág 14. Baixe aqui o Ebook Gratuito da Editora Fiel
    2- John Owen, O Espírito Santo, pág 11.

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