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    O QUE A ÚLTIMA CEIA TEM A VER COMIGO?




    O que a última ceia tem a ver comigo? | Por Camila Peixoto



    Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. - 1 Coríntios 11:23-29 

    Texto bastante conhecido, não é? Mensalmente, ouvimos nos cultos de santa ceia a leitura desse trecho, mas, diferente das outras vezes, hoje não vamos falar de vinho, pão ou pecado. Há alguns dias pude participar de um retiro e uma das mensagens foi sobre 1 Coríntios 11, uma reflexão nova sobre esse texto lido tantas vezes. 

    No trecho citado, Paulo fala aos irmãos da igreja de Corinto sobre como aconteceu a última ceia e como devemos proceder nesse momento. Sempre ouvimos os nossos pastores falando de como deve ser nossa conduta diante da especial Ceia do Senhor. Mas por que é tão especial? 

    Porque nos mostra que há algo maior que nossos planos egoístas.

    A situação da última ceia era bem difícil para Jesus, pois Ele sabia a que horas iniciaria todo o seu sofrimento. Provavelmente, se fosse eu no lugar de Jesus, jogaria tudo para o alto e diria ao Pai: “só tenho 33 anos, tenho muita vida pra viver, não quero morrer de uma forma tão cruel, ser tido como maldito e ainda por cima pagando por erros que nunca cometi”. 

    Mas o plano de salvação vai muito além do que qualquer plano egoísta. O ladrão é solto, o Filho de Deus vai para cruz e, mediante o sacrifício do cordeiro puro, nós fomos alcançados pela maravilhosa graça. Cristo, no seu sacrifício, foi além do planos egoístas do homem. Seus perseguidores, que por motivos pessoais - leia-se orgulho e inveja -, buscavam sua morte, mal sabiam que a morte do Homem sem pecado traria glória ao Pai (João 17:4), poder e honra ao Filho (Mt 28:18), justificação e redenção a pecadores (Rm 3:24), e reconciliação entre nós e Deus (Rm 5:10). 

    Porque nos mostra que é preciso ter sabedoria para fechar velhos ciclos e para abrir novos ciclos.

    Nós temos muita dificuldade em fechar ciclos em nossas vidas. Pode ser uma culpa, que até já foi perdoada, mas que continua remoendo nossa alma, ou até um novo momento que a gente insiste em não viver... talvez pelo medo ou talvez porque a gente se apega demais ao passado. 

    Na ceia, Jesus nos ensina que seu momento na terra estava acabando, que dali em diante começaria o seu sofrimento e que os discípulos já não o teriam por perto. Um ciclo se fechava, pois o Filho de Deus voltava ao Pai, mas outro ciclo se abria, pois o próprio Jesus disse que se Ele não fosse, o Espírito Santo não viria (João 16.7). 

    É difícil fechar um ciclo? Sim! É difícil abandonar a “infância” da vida cristã? É, porque precisamos amadurecer e precisamos deixar de "tomar leite", para começar a comer comida que tenha sustança. O apóstolo Paulo disse que quando era menino, agia como menino, mas quando se tornou homem, desistiu das coisas de menino. (1 Co 13.11). Fechar ciclos é importante para o nosso crescimento! Abandonarmos velhos e maus hábitos, nos despirmos do velho homem e vivermos em novidade de vida. 

    Porque nos mostra que é necessário ter sabedoria para separar o que é duradouro do que é momentâneo. 

    A Bíblia nos diz que há tempo para tudo. Há tempo para rir, para chorar, para colher, para plantar, para falar e para silenciar (Ec. 3). Diz também que os céus e a terra passam, mas a Palavra de Deus permanece (Mt. 24.35). O período de Jesus com os discípulos, cerca de três anos, enfim estava acabando, mas viria aquele que estaria sempre perto, o Espírito Santo. Muitas coisas em nossas vidas não são eternas e diversas vezes as tratamos como se fossem. Quer um exemplo? Muitos acham que uma função eclesiástica é algo eterno, mas não! Você não é eternamente pastor de uma congregação, você não é eternamente o cantor que ministra os louvores congregacionais, você não será para sempre um músico da igreja, mas, em compensação, você sempre será um servo de Deus, independentemente das funções que você tem na sua comunidade. Por isso, não podemos nos engrandecer pelas coisas das quais somos mordomos, mas devemos cuidar de glorificar a Deus naquilo que fazemos, porque glorificá-lo não é uma atividade finita, mas sem fim. 

    Porque nos mostra que não precisamos ter medo dos planos de Deus para nossas vidas.

    Era sim uma situação angustiante, comer com os amigos e saber que horas depois estaria morrendo. Eu tenho certeza que Jesus não estava com medo, mas lembremos que o sofrimento nos abate. Saber que em poucas horas você vai perder sua vida, mexe com o seu interior, Cristo inclusive pediu para que o Pai passasse dele o cálice, mas de maneira nenhuma Ele estava renunciando o que veio realizar, mas simplesmente mostrou que era participante efetivo de nossa natureza, ou seja, plenamente homem, mas também plenamente Deus, único capaz e eficaz para expiação dos nossos pecados. 

    Quantas vezes passamos por um sofrimento e queremos encerrar ali nossa trajetória? Contudo os pensamentos de Deus quanto às nossas vidas são muito maiores do que possamos imaginar. O que é novo muitas vezes assusta, mas quando vem de Deus é embutido de esperança e paz. Jesus não teve medo do calvário, seguiu calado, não questionou... talvez você possa até pensar que foi por medo, eu sei que não! Porque ali havia muito amor por nós, era a morte que nos traria vida. Que plano mais louco, não é? Mas é dessa forma que Deus age, confundindo os sábios em seu próprio entendimento. Não tenha medo de viver o que Deus tem preparado. 

    A ceia é mais que pão e vinho, é a cena escrita por Deus para nos dar muitos ensinamentos. 

    E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. - Filipenses 2:8-11

    Por Camila Peixoto.  

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