• "O verdadeiro evangelho exalta a Deus... Se camuflado a excelência perderá!"

    A IGREJA DE PLÁSTICO




    A IGREJA DE PLÁSTICO | Tiago M. Barros


    É comum que para decorações de ambientes, sejam casas, empresas ou salões de festas, onde se pretende usar plantas e flores, estas sejam substituídas por suas réplicas de plástico. Algumas são tão bem produzidas que chegam a enganar os olhos, só a proximidade, o toque e o cheiro, revelam que, apesar da perfeição aparente, são apenas réplicas inanimadas: possuem beleza, mas não possuem vida.

    Jesus nos alertou para algo semelhante em relação à espiritualidade dos homens. Aos fariseus e escribas denunciou que sua religiosidade se baseava em aparência, mas que em essência estava morta tal qual sepulcro que mesmo adornado por fora não deixa de esconder por dentro a podridão característica da morte (Mt 23:27). Esse é um problema que pode recair sobre uma igreja cristã caso não sejam tomados os devidos cuidados, pois também a igreja de Sardes foi advertida para arrepender-se exatamente pelo fato de ter chegado a um momento de sua história no qual possuía nome de quem vive, mas que na realidade estava morta (Ap 3:1-3), tornara-se uma igreja de plástico.

    Uma igreja de plástico, por faltar-lhe vida, esmera-se em manter o que lhe resta, a aparência. Seu cuidado com sua imagem é tão grande que aos olhos leigos ela pode aparentar mais espiritualidade do que quem é sinceramente espiritual e por isso os atrai e cativa. O olhar leigo encanta-se com a pompa, com a beleza, com o show, pois uma igreja de plástico promove não um culto, mas uma grande apresentação. No entanto, o olhar de quem conhece a igreja viva não pode ser enganado.

    Jesus nos lembra de que pelos frutos podemos conhecer as árvores (Mt 12:33), Os frutos referem-se ao que é produzido. Pois bem, tudo o que numa igreja viva produz vida, numa igreja de plástico se torna apenas ornamento para contemplação. Ao aproximarmos percebemos que nela a ênfase de investimentos, seja de tempo, dinheiro ou projetos, está na estrutura física e ornamento e não nas pessoas que a compõem. Foge a ideia de que igreja mesmo são os membros.

    A oração nessa igreja (de plástico) é diferente daquela feita em secreto e intimidade com Deus. É uma oração extravagante com impostação de voz a fim de impressionar os ouvintes - pois é feita para os ouvintes - e neles gera a falsa segurança de que este tipo de oração será atendido pelo simples fato de ser uma oração “poderosa”, “que arrepia”. 

    Numa igreja assim a pregação segue a moda, segue o que está dando certo e não o antigo evangelho, o correto. A busca de bens toma o lugar da busca do bem. O que sou é prejudicado em favor do que tenho, não existe renuncia por amor a Deus. Na verdade não existe amor a Deus nem ao próximo, apenas amor a sim mesmo. Isso não é dito, mas é vivido!

    Nessas igrejas o pastoreio, quando muito, tem suas ênfases nas ações exteriores dos membros, naquilo que causa escândalos aos homens - escândalos são péssimos para a manutenção de uma boa imagem. Então existe a repressão de pecados externos e a crítica exacerbada com roupas, tatuagens, piercings e coisas semelhantes, mas não há tratamento de caráter pela palavra de Deus. Logo os pecadores aprendem a esconder os seus pecados, mas não a deixá-los. Todos vivem aparentemente bem, chegam a ser elogiáveis aos olhos humanos, “mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia”. (Mt 23:27)

    Uma igreja que não tem vida, não pode passar vida. Uma igreja cuja ênfase é a aparência, a imagem externa, tal quais nossas flores de plástico, podem até impressionar, causar grande admiração, mas é só! Por isso é importante cuidar para que nossas igrejas locais não se esqueçam de zelar pela vida espiritual dos crentes e assim não se encontrem adornando defuntos. Precisamos cuidar de nossas igrejas locais, mas antes de tudo uma pergunta recai sobre cada um de nós: Minha espiritualidade é de plástico?

    Bendito seja o Senhor para sempre!

    Por Tiago Barros.

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