• "O verdadeiro evangelho exalta a Deus... Se camuflado a excelência perderá!"

    A MENSAGEM CENTRAL DAS MISSÕES




    A MENSAGEM CENTRAL DAS MISSÕES | Evanildo Sena


    Texto Base: 1 Co 15:1-9,12-14,20-22.

    Não importa qual o tipo de missão o cristão tenha que realizar, há uma mensagem central que deve ser anunciada. Quer seja no meio urbano ou rural, no seu país ou no exterior, para o pobre ou para o rico, esta mensagem é a base para a evangelização de todas as noções, de todos os povos, de todas as culturas.

    “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis.” - 1 Coríntios 15:1

    A fala de Paulo nestes primeiros versículos é o que aponta para o que vem a seguir, a centralidade do evangelho. É a mensagem que devemos ter em mente ao anunciar a salvação para o perdido, é a mensagem que antes nos foi anunciada, a que recebemos para nossa salvação e a verdade em que permanecemos, nela está a razão da nossa fé e os motivos essenciais para a nossa comunhão com Deus. A crucificação e a ressurreição de Jesus é o tema central deste capítulo, mas também são o tema central de toda a Escritura, pois toda a mensagem bíblica aponta para este momento único, o plano de Salvação, que graciosamente foi planejado e realizado pelas três pessoas da trindade:

    De fato, todas as pessoas da trindade estavam envolvidas nessa obra de salvação. O amor, a graça e a sabedoria do Pai a planejou; o amor, a graça e a humildade do Filho a adquiriu; o amor, a graça e o poder do Espírito Santo capacitou pecadores a crer e a recebê-la. [¹]
    O início do capítulo deixa claro que os irmão em Corinto já haviam ouvido o evangelho através de Paulo e ele agora reforça, principalmente porque alguns estavam negando a ressurreição de Jesus Cristo. “se não é que crestes em vão” (v.2), esta possibilidade de “crer em vão” é válida para alguns em Corinto, como também para muitos membros de igrejas hoje em dia. Crer em vão é exatamente não ter recebido o evangelho conforme foi anunciado, e principalmente desmerecer ou não crer na centralidade das boas novas: a morte e a ressurreição de Jesus. Ou simplesmente não ser esta, a principal motivação de congregar, visto que o principal atrativo de muitos lugares são as “bênçãos” casuais, os milagres e a prosperidade com foco no possuir bens materiais e riquezas. 

    “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras." - 1 Coríntios 15:3

    A morte de Jesus não foi um acidente ou simplesmente a consequência de uma traição. Há um propósito pelo qual Jesus teve que se fazer carne, habitar entre nós e ser levado a Cruz. Entender o evangelho é saber que a morte de Jesus foi a consumação do plano de Salvação de Deus e que Ele morreu em nosso lugar, ou seja, foi o sacrifício substitutivo, pois nós merecíamos a morte (Rm 3.23) e a condenação eterna. 

    John Sttot, disse:

    Movido pela perfeição do seu santo amor, Deus em Cristo substituiu-se por nós, pecadores. É esse o coração da cruz de Cristo”[²]

    “Morreu por nossos pecados”, esse é o motivo pelo qual Jesus foi a Cruz, afim salvar os que são seus, Ele redime pecadores através do seu sangue, todos os que estão nEle saíram das trevas e agora estão na Luz, saíram do poder de satanás e agora estão no poder de Deus. (Atos 26:18).

    Algumas referências bíblicas que aludem a morte de Cristo na cruz por nossos pecados ditas pelos três grandes apóstolos do Senhor:

    Paulo: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” (1 Coríntios 2:2)

    Pedro: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito.” (1 Pedro 3:18)

    João: Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. (1 João 4:10)

    Jesus satisfez a vontade e a Justiça de Deus. Na cruz o Senhor Jesus é o nosso Redentor (Resgatador): “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus.” (Romanos 3:24-25). Na cruz Ele é o Justo que morre por injustos: (1 Pedro 3:18). Entender o evangelho é saber que não merecíamos este favor gratuito de Deus, por meio de Seu Filho amado. 

    "E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras."  (1 Coríntios 15:4)

    O foco central deste capítulo é a defesa que Paulo faz da ressurreição de Jesus. “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi”, Paulo não estava proclamando um evangelho inventado por ele, pois recebera diretamente do próprio Jesus (Gálatas 1.11-12). Nos versículos 5-8, Paulo vai citar apóstolos, discípulos e pessoas que viram Jesus após a sua ressurreição. Eles foram testemunhas oculares e qualquer um em Corinto poderia consultar (os que estavam ainda vivos).

    Normalmente quando passamos por passagens da bíblia que são cheias de nomes (as genealogias, por exemplo) nós não lemos com muita atenção ou as vezes até pulamos. Mas o fato é que os nomes são importantes. Por exemplo, no credo apostólico nós temos a seguinte citação: “Padeceu sob Pôncio Pilatos”, a importância em fazer esta citação é apresentar o Jesus histórico. Ainda hoje, muitos que não acreditam nas Escrituras dizem que Jesus é um mito, uma “história da carochinha”, mas estes se forem pesquisar, encontrarão na História um prefeito chamado Pôncio Pilatos, e que este foi o autorizante da execução de um homem chamado Jesus de Nazaré. Veja o que um historiador judeu chamado Josefo, diz:

    Perto desse tempo viveu Jesus, um homem sábio, se de fato deveria ser chamado homem... Quando Pilatos, ao ouvi-lo ser acusado por pessoas de elevada posição entre nós, tinha-o condenado a ser crucificado...” (Antiguidades judaicas 18.3.3 §63,64). [3]
    Tácito, um historiador e político romano, por volta de 115 d.C., afirmou: 

    Cristo... foi condenado a morte por Pôncio Pilatos, procurador da Judeia no reinado de Tibério; mas a perniciosa superstição (a nova crença em Jesus) reprimida durante algum tempo, rompeu novamente, não só através da Judeia, onde a desordem havia começado, mas também através da cidade de Roma...” [ 4] 
    Portanto há um esforço de Paulo em defender a ressurreição de Jesus e o faz com toda autoridade lhe concedida pelo próprio Cristo (Atos 26:16).

    "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados." (1 Coríntios 15:17). Li em outro autor, acredito que no livro “A Cruz de Cristo” de John Stott, que alguém disse “se encontrassem em algum lugar, nos dias de hoje, o corpo de Jesus, nossa fé permaneceria inabalável”, e o autor sustentava que esta pessoa estava completamente equivocada. É exatamente isto que Paulo defende, se não houvesse ressurreição a nossa fé seria vã e tola, e permaneceríamos na mesma condição de pecadores condenados, mas o fato é que Ele ressuscitou e é exatamente por isso que agora temos verdadeira vida e o pecado não tem mais domínio sobre nós.

    Que possamos permanecer em nossa caminhada Cristã, buscando conhecimento do Senhor Jesus, mas nunca nos esquecendo da mensagem central do evangelho: “Jesus Cristo, e este crucificado.” é a única boa nova capaz de transformar pecadores em salvos.

    Graça e paz!


    1- Owen, John – O Espírito Santo - Pág. 11.
    2- John Stott - A Cruz de Cristo - Pág. 170
    3 - Gundry, Robert – Panorama do Novo Testamento, Editora Vida Nova - Pág. 132.
    4- Trecho retirado de “Anais 15.44”, escrito por Tácito.

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