• "O verdadeiro evangelho exalta a Deus... Se camuflado a excelência perderá!"

    SE HOUVESSE SALVAÇÃO POR OBRAS, SERIA POR MEIO DA LEI



    SE HOUVESSE SALVAÇÃO POR OBRAS, SERIA POR MEIO DA LEI | C. H. SPURGEON


    A vinda de um Salvador, que mediante sua morte proporcionaria o perdão para o pecado do homem, significou que os homens eram extremamente culpados e incapazes de procurar o perdão por meio de suas próprias obras. Vocês nunca teriam visto um Salvador se não houvesse ocorrido uma caída. O Éden caído foi um prefácio necessário para as angústias do Getsêmani. Vocês nunca teriam conhecido de uma cruz, nem de um salvador sangrento nela, se não houvessem escutado primeiro da árvore da ciência do bem e do mal, nem de uma mão desobediente que arrancou a fruta proibida. Se a missão de nosso Senhor não se referisse ao culpado, seria então, até onde podemos entender uma tarefa totalmente desnecessária. O que justifica a encarnação, se não a ruína do homem?

    “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.” Romanos 5:6

    O que pode explicar a vida de sofrimento de nosso Senhor se não a culpa do homem? Acima tudo, o que explica sua morte e a nuvem sob a qual morreu se não o pecado do homem? “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.” Essa é a resposta a um enigma que, de qualquer outra maneira, não teria resposta.

    Se olharmos o pacto sob qual venho nosso Senhor, logo perceberemos que sua orientação é para os homens culpados . A benção do pacto de obras tem a ver com os que são inocentes, a aqueles são prometidas grandes bênçãos. Se houvesse existido uma salvação por obras, haveria sido por meio da lei, já que a lei é integra e justa e boa; mas o novo pacto evidentemente trata com pecadores, porque não fala de recompensa ao mérito, mas antes, promete sem condições: ”Serei misericordioso quanto as suas injustiças e jamais me recordarei de seus pecados.“ Se não houvesse existido pecados, iniquidades e injustiças, não haveria tido necessidade do pacto da graça, do qual Cristo é o Mensageiro e o Embaixador. O mais ligeiro olhar ao caráter oficial de nosso Senhor como o Adão de um novo pacto deveria ser suficiente para convencer-nos de que sua missão é para os homens culpados. Moisés vem para mostrar para nós como o homem santo deve comportar-se, mas Jesus vem para revelar como o impuro pode ser limpo.

    Sempre que escutamos algo da missão de Cristo, é descrito como uma missão de misericórdia e graça. Na redenção que está em Cristo Jesus, é a misericórdia de Deus a que é sempre exaltada. Nos salvou por sua misericórdia. Ele, por meio de Jesus, por sua abundante misericórdia, perdoa nossas ofensas. “a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo.” “Quanto mais abundou para muitos a graça de Deus e a dádiva pela graça de um só homem, Jesus Cristo” . O apóstolo Paulo, que foi quem explicou de maneira mais clara o evangelho, estabelece a graça como a única palavra em que se apóiam as reviravoltas. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” e “ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, pois é dom de Deus.” e “ Assim também a graça reine pela justiça para vida eterna, por meio de Jesus Cristo nosso Senhor.”

    Mas, irmãos , a misericórdia implica pecado: não se pode reservar nenhuma misericórdia para os justos, porque é a justiça mesma quem lhes outorga todo o bem. Assim mesmo, a graça só pode ser dada aos pecadores. Que graça necessitam aqueles que tem guardado a lei, e merecem o bem das mãos de Jeová? Para eles, a vida eterna seria mais bem uma dívida, uma recompensa muito bem ganhada; mas quando se toca no tema da graça, de imediato há de eliminar-se a ideia de mérito, e é necessário introduzir outro principio. Só se pode praticar a misericórdia ali onde existe pecado, e a graça não pode ser concedida se não para aqueles a quem não tem mérito nenhum. Isto é muito claro e , no entanto, todo o conteúdo da religião de alguns homens está baseado em outra teoria.

    O fato é que, quando começamos o estudo do evangelho da graça de Deus, vemos que sempre volta seu rosto até ao pecado, da mesma maneira que o médico olha para a enfermidade, ou a caridade atenta para a necessidade. O evangelho lança seus convites, mas, que são as convocações? Não estão dirigidos a aqueles que estão carregados com o peso do pecado , e estão fatigados tratando de escapar de suas consequências? Chama a toda criatura porque toda criatura tem suas necessidades, mas especialmente diz: “Deixe o ímpio seu caminho, e o homem iníquo seus pensamentos.” Convida o homem que não tem dinheiro, ou dito em outras palavras, sem nenhum mérito. Chama a aqueles que estão necessitados, e sedentos, e pobres, e desnudos, e todas essas condições são figuras de estados equivalentes produzidas pelo pecado.

    Os próprios dons do evangelho implicam pecado; a vida é para os mortos, a vista para os cegos, a liberdade é para os cativos, a limpeza é para os sujos, a absolvição é para os pecadores. Nenhuma benção do evangelho é proposta como uma recompensa, e não se faz nenhuma convocação a quem reclama as bênçãos da graça como algo a que tem direito; os homens são convidados a vir e receber dons gratuitamente de acordo com a graça de Deus. E quais são os mandamentos do evangelho? O arrependimento. Porém, quem se arrepende, senão um pecador? A fé. Mas crer não é um mandamento da lei; a lei só fala de obras. Crer tem que haver com os pecadores, e com o método de salvação por meio da graça.

    As descrições que o evangelho faz de si mesmo usualmente apontam para o pecador. O grande rei que faz uma festa e não encontra a nenhum convidado que se sente á mesa entre aqueles que naturalmente se esperava que chegassem, mas que obriga aos homens que vão pelos caminhos e pelos becos, a entrarem na sua festa. Se o evangelho se descreve a si mesmo como uma festa, é uma grande festa para os cegos, para os coxos, e para os alijados; se ele se descreve a si mesmo como uma fonte, é uma fonte aberta para limpar o pecado e as impurezas. Em todas as partes, em todo o que faz e diz e dá aos homens, o evangelho manifesta-se como o amigo do pecador. O tema de seu Fundador e Senhor é “este recebe aos pecadores”. O evangelho é um hospital para os enfermos, ninguém se não os culpados aceitará seus benefícios; é remédio para os enfermos, os sãos e os que crêem em sua justiça própria nunca poderão apreciar suas porções salvadoras. Aqueles que imaginam possuir alguma excelência ante Deus nunca se preocuparão de serem salvos pela graça soberana. O evangelho, eu digo , foca o pecador. Nessa direção, e só nessa direção, lança suas bênçãos.
    E irmãos, vocês sabem que o evangelho sempre há encontrado seus maiores troféus entre os maiores pecadores: Alista seus melhores soldados não somente das fileiras dos culpados, se não que também das classes dos mais culpados. Disse nosso Senhor a Simão Pedro “uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinquenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais?” O Evangelho se baseia sobre o principio de quem teve muito para ser perdoado, esse irá amará mais, e assim seu Senhor misericordioso se deleita buscando os mais culpados e manifestando-se a eles com amor abundante e sobre-abundante, dizendo “Apago como nevoas tuas rebeliões e como nuvem seus pecados”. Entre os grandes transgressores encontra aos que mais intensamente o amam, uma vez que são salvos, e destes recebe a boa vinda mais cordial, e neles obtêm os seguidores mais entusiastas. Uma vez que são salvos, os grandes pecadores coroam essa graça imerecida com seus diademas mais ilustres. Podemos estar bem seguros que Ele tem seus olhos postos nos pecadores, posto que encontre sua maior glória nos maiores pecadores

    Há outra reflexão que está muito perto da superfície, no caso, que se o evangelho não olha para os pecadores, a que mais poderia olhar? Parece que tem existido ultimamente um ressurgimento do antigo espírito que apresenta objeções, de maneira que os orgulhosos fariseus constantemente nos dizem que a pregação da justificação pela fé tem sido conduzida mais fora de seus limites, e que estamos conduzindo as gentes a valorizar menos a moralidade ao pregar a graça de Deus. Esta objeção, frequentemente refutada, esta saindo de seu esconderijo outra vez, por que o Protestantismo está perdendo sua seiva e sua alma. A mesma força e coluna vertebral do ensino dos Reformadores foi essa grande doutrina da graça, que a salvação não é por obras, mas sim somente pela graça de Deus; e como os homens estão se afastando da Reforma, e estão se deixando influenciar pela Igreja Católica Romana, estão deixando de lado essa grandiosa verdade da justificação pela fé somente, e pretendendo que lhe tenham temor. Porém, oh! Quais miseráveis e tontos são muitíssimos homens em relação com esse tema! Proponho a todos eles uma pergunta: Para quem, senhores, olharia o evangelho, se não aos pecadores, porque que coisa vocês são, se não pecadores? Vocês que falam que a moralidade é lastimada, que a santidade é ignorada, o que vocês têm a ver com qualquer delas?

    A gente que usualmente recorre a estas objeções, geralmente, faria melhor em não tocar nesses temas. Em geral, esses furiosos defensores da moralidade e da santidade, são sumamente liberais, enquanto que os crentes na graça de Deus são frequentemente, acusados de Puritanismo e rigidez. Ele que mais se adianta em falar contra as doutrinas da graça é frequentemente o homem que mais necessita delas, enquanto o que se opõe as boas obras como a base para se confiar, é precisamente a pessoa cuja vida está cuidadosamente dirigida pelos estatutos do Senhor. Saibam, oh homens, que não vive na face da terra um homem a quem Deus possa olhar com prazer se considerará a esse homem à luz de Sua lei. “Cada um havia se desviado, e juntamente se corromperam. Não há quem faça o bem, nem sequer um só.” Nenhum coração, por natureza, é são e justo ante Deus, nenhuma vida é pura ou limpa quando o Senhor vem para examinar ela com Seus olhos que tudo o vêem. Estamos encarcerados na mesma prisão com todos os culpados, se não somos igualmente culpados, se somos culpados na medida de nossa luz e nosso conhecimento, e cada um é condenado justamente, porque temos nos desviado nosso coração e não temos amado ao Senhor. A quem, então, poderia o Evangelho mirar, se não dirigisse seus olhos para o pecador? Por quem mais poderia haver morto o Salvador? Que pessoas há no mundo para quem os benefícios da graça poderiam ter sido destinados?

    Charles Spurgeon.


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