• "O verdadeiro evangelho exalta a Deus... Se camuflado a excelência perderá!"

    O AMIGO JUDAS - por Evanildo Sena



    “E, estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-o. E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o.
    Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.” Mateus 26:47-50
    “Amigo, a que vieste?” Foi assim que Jesus chamou aquele que o traíra: Amigo. E se Jesus assim o chamou de fato ele era um amigo e vamos tentar entender um pouco mais sobre a trajetória do discípulo chamado Judas Iscariotes.
    Como você se sente ao ouvir o nome Judas? Repugnação? Desprezo? Nojo? Raiva? Pena? Certamente você não gosta muito deste nome, porque todas as vezes que escuta, logo lhe vem à mente: Traição.
    Conheço algumas pessoas chamadas João, Natanael, Pedro, Mateus, mas não conheço ninguém chamado Judas, acho que nem a um animal as pessoas colocam este nome, afinal ele traiu a Jesus, ele entregou nas mãos de Caifás um sangue inocente. Talvez o livro da Bíblia menos lido seja a epístola de Judas. O nome não é muito atrativo para uma leitura de olhos fitados. Lembro que este livro foi escrito por outro Judas, irmão de Tiago e aproveito o ensejo para dizer que é uma carta muito rica e edificante, que adverte a igreja a cerca dos falsos mestres e convoca todos a buscarem a santidade, o amor e o temor do Senhor. Não despreze esta carta por causa de seu nome. Por falar em nome a tradução mais próxima para o nome de Judas, seria: louvado, pois seu nome deriva da raiz hebraica louvor.
    Mas Jesus o chama de amigo, intrigante não? Jesus amava todos os discípulos e deu a cada um deles, a oportunidade de se relacionarem com Ele, como amigos, companheiros, irmãos adotivos. Jesus não obrigou, ou não insistiu que nenhum deles o seguisse (Jo 6:67), mas cada um por livre vontade e atendendo a um chamado, um olhar do Salvador, decidiram seguir o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, conforme João Batista anunciava.
    “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” (ver contexto: Jo 15,12-17).
    “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” Existe uma condição para ser amigo de Jesus, temos que obedecer! Fazer o que Ele manda! Jesus amava Judas como um amigo. Judas era impetuoso, assim como Pedro, a diferença é que ele conhecia as letras e utilizava deste recurso para agir estrategicamente. Ele conheceu o Messias e acreditou na sua divindade, ele presenciou os milagres, foi evangelizar de dois em dois, de acordo com a ordenança de Jesus, talvez ele tenha até curado alguns enfermos nesta obra que participou. Judas era amigo de Jesus! Quantos amigos Jesus tem como ele nos dias de hoje? Fazem a obra, evangelizam, curam os enfermos, são mordomos dos bens, mas no final das contas não atentam para a vontade de Deus, querem usar suas próprias estratégias, esquecem que tem que permanecer vigilante, pois o inimigo está ao derredor, procurando tragar! (I Pe 5.8)
    Provavelmente Judas foi dentre os doze discípulos o único que não era Galileu, supõe-se que ele veio de uma pequena comunidade do sul da Judéia. Ele era um homem letrado, muito educado e possuía uma inteligência invejável. Tinha bastante influência e era estratégico. Não foi a toa que ele cuidava das finanças. Ele era um líder, um dos doze escolhidos para anunciar o evangelho de Jesus. Desde criança lhe ensinaram que nada de bom poderia vir da Galiléia, mas parece que o chamado de Deus em seu coração gritou mais alto e ele se uniu ao Galileu e seu grupo.
    Judas era um homem com excelente capacidade administrativa, ele devotou a Deus os seus talentos. Era um homem de atitude! Suas ações eram estratégicas, pensava sempre à frente dos demais discípulos, afim de resolver as situações pertinentes ao grupo. Assim como muitos Judeus, Judas acreditava que o Messias viria para estabelecer uma nação forte, poderosa e restaurar o trono de Davi. Ele ouviu varias vezes Jesus proclamar: “É chegado o Reino de Deus!”. O reino de Deus estava próximo e Judas queria que esta promessa se cumprisse o quanto antes, ele tinha planos e já maquinava colocar em pratica. Judas queria apressar as coisas, queria ajudar a Deus com a sua estratégia!
    “Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Is. 55:9
    Os nossos planos são falhos, os planos de Deus são melhores, são mais sábios que os nossos, Deus não precisa de nossos planos, Ele deseja que façamos a vontade dEle e não a nossa! Não tente agir da sua maneira, procure saber qual a vontade de Deus. Participar da obra de Cristo quando fazemos o que queremos, como queremos e quando queremos é um erro que pode trazer sérias conseqüências, as frustrações serão inevitáveis, a tristeza, a solidão, o mal pode dominar, porque o inimigo e o mundo (pecado) entram sorrateiramente e inflamam qualquer um que está no corpo, que está com pensamentos distantes da vontade de Deus, com o seu “Eu” mandando em sua mente. Sem vigilância não dá! (MT. 26.41)
    Mas Jesus o chama de Amigo! E os discípulos também o enxergavam assim. Quando Jesus anuncia na ceia, que um dos doze iria traí-lo (MT. 26.21), cada um fez a pergunta: “Porventura sou eu, Senhor?”Interessante, não? Eles não disseram: “Já sabemos Senhor, é o covarde chamado Judas!”“Com certeza Mestre, só pode ser o que cuida das finanças, ele só pensa em dinheiro!”. Não amigos, eles não pensaram assim, Judas era visto como amigo e cada um fez uma auto-reflexão naquele momento, afinal todos ali estavam aptos a cometer esta fatalidade.
    Mas Jesus em outrora, chamou Judas de Diabo (Jo 6.70). Verdade, pois Jesus já conhecia o que havia de vir, já sabia que Judas iria cair e deixar ser usado pelo inimigo. (Jo 13.2). Um episódio parecido ocorreu com Pedro, quando Jesus o chamou de Satanás. (MT. 16.23) A diferença está em duas palavras: arrependimento e reconhecimento, Pedro se arrependeu e continuando sua caminhada com Jesus, se permitiu ser moldado e alinhado aos planos que Jesus tinha para sua vida, Pedro reconheceu que só Jesus tinha as palavras de vida eterna (Jo 6:68,69). Judas não se arrependeu verdadeiramente, mas Pedro sim.
    Jesus e Judas queriam fazer a vontade de Deus, ambos queriam o estabelecimento do reino e fazer a vontade do Pai, a diferença é que Jesus consultava o Pai e não fazia a sua própria vontade, mas a daquele que o enviou. “Não seja como eu quero, mas como tu queres”. Jesus nos deixou este exemplo também na oração modelo (Mt 6:10) e devemos seguir. A vontade de Deus é o que importa, pois ela não é enganosa, mas vida para aqueles que buscam.
    Talvez haja muito de Judas em nós (igreja). Anunciamos o evangelho, administramos a casa do Senhor, contribuímos, mas às vezes queremos fazer do nosso jeito, esquecemos de consultar o Pai.
    Deus tem planos maravilhosos para sua vida, ele quer cuidar de você. Moldar o teu caráter, te alinhar com a perfeita vontade dEle. Jesus te amou (ama) e te viu (ver) como amigo, a ponto de dar a vida por você! Não fuja dos seus propósitos! Os amigos de Jesus fazem o que ele manda! Mas não faça do seu jeito. Consulte o Pai e busque fazer a sua perfeita vontade!
    Enfim, o encontro. Lá estava Jesus! Um beijo na face, um encontro de amigos, uma traição. E dali por diante Judas vai percebendo aos poucos o mal que fez, por um momento ele toma uma atitude, volta arrependido até Caifás e declara que entregou um inocente (Mt 27.3-5), mas já estava feito, e ele não conseguiu gerar em si um arrependimento sincero, porque assim como a Pedro, Jesus estava de braços abertos, sempre, disposto a perdoá-lo, mas ele viu ali os seus planos frustrados, ele aguardava uma reação de Jesus, um triunfo, o estabelecimento do reino de Deus, mas ele não entendeu os propósitos do Pai, que o Filho deveria se tornar um sacrifício vivo para a remissão dos pecados. “E agora? meu Mestre será crucificado!” Judas não suportou a dor de ver o mestre sofrendo, açoites e mais açoites, calúnias, xingamentos, nada digno de um rei. Judas se lamenta, mas não se arrepende, se culpa e suicida-se.
    Graça e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Salvador.
    Evanildo Sena

    - Perfil do Autor -

    0 comentários:

    Postar um comentário